Amilcar Herrera

“Premio Amilcar Herrera” a la producción de autores “Senior”, mayores de 40 años.

Este Premio se otorgará en 2 categorías

  1. Premio Amilcar Herrera categoría libros publicados.
  2. Premio Amilcar Herrera categoría artículos o capítulos de libros.

“Tributo ao professor Herrera” (Extracto de Dagnino y Velho, 2005),

Amilcar Herrera, professor emérito da Unicamp. Entre as muitas contribuições que fez às instituições acadêmicas latino-americanas, está a criação do Instituto de Geociências (IG) e do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT), onde atuou como professor por mais de 15 anos.

Ele  enunciou  quatro idéias  cuja  atualidade  é  central  para  pensar  a  relação Ciência–Tecnologia–

Sociedade na América Latina:

  1. Existia na América Latina uma capacidade científica suficiente para remover os obstáculos cognitivos ao nosso desenvolvimento. Era a escassa Demanda Social por P&D – e aí incluía tanto a privada como a governamental -, que deixava nossa capacidade subutilizada. Era um obstáculo pervasivo, estrutural, histórica e politicamente determinado por nossa condição periférica.
  2. Sua remoção demandava um Projeto Nacional apoiado politicamente por amplos segmentos da sociedade. Ao colocar demandas materiais específicas, tecnologicamente apropriadas e cientificamente originais, ele tenderia a inverter a lógica ofertista e imitativa que presidia nossa produção de conhecimento.
  3. No plano institucional, ele seria capaz de emular em nosso Sistema de C&T uma dinâmica científico-tecnológica endógena e prospectiva orientada por áreas-problema econômica, social e estrategicamente relevantes para o País.
  4. Uma outra questão-chave – a relação entre Política Explícita e Implícita de C&T – também se alteraria. Deixaria de ocorrer a oposição entre a primeira – aquela que visa ao aumento da capacidade de “oferta”, na universidade e instituições de pesquisa – e a segunda – aquela que, resultado das políticas-fim e do contexto sócio-econômico, limita a “demanda”.

Politicamente, suas idéias aportavam ao esforço teórico então em curso no plano internacional – olhar dentro da black box da tecnologia – uma visão, mais do que latino-americana, “periférica”. Conceitualmente, salientavam que mais do que de gestão, nosso problema se situava na interface entre a policy e a politics da C&T. Metodologicamente, contribuíam com um enfoque multidisciplinar pela via da política científica, e não pela via da política industrial e da abordagem da economia da tecnologia hoje hegemônica.

No final de 1979, Herrera decide interromper sua estada, forçada pelos militares argentinos, no prestigioso Science Policy Research Institute (SPRU) da Inglaterra e abraça o desafio de criar um Instituto de Geociências diferente. Ele o queria relevante e, por isso, multidisciplinar, orientado a áreas ainda não exploradas na América Latina e dedicado à pesquisa e à pós-graduação.

O seu conhecimento profundo dos problemas mundiais, não o tornaram um cínico, mas sim alguém que acreditava na possibilidade de mudanças sociais. E nessas mudanças ele via um papel de destaque para as mulheres e os jovens. E era exatamente essa capacidade de ouvir os jovens e aprender com eles que o tornava tão especial enquanto pessoa. Para reforçar essa convicção, ele costumava dizer “sempre se pensa que a idade torna as pessoas mais sábias. Na minha experiência, sei que isso não ocorre: a idade nos faz velhos, não sábios”.